64. Timbalada: “Beija-Flor”

Eu fui embora
Meu amor chorou
Vou voltar
Eu vou nas asas
De um passarinho
Eu vou nos beijos
De um Beija-Flor
No tic tic tac
Do meu coração
Renascerá


É Carnaval e nada melhor que celebrarmos esses dias de farra e folia com uma canção que vem da Bahia.

“Beija-Flor” é um dos maiores sucessos da Timbalada, esse conjunto-projeto-bloco que inaugurou o som que hoje se tornou a axé-music. Na verdade, axé mesmo mesmo era o que fazia a Timbalada, como diz a letra de “Som Dos Tribais”, do mesmo disco Timbalada (1993) de “Beija-Flor”: “Sou timbaleiro e bote fé / Sou timbaleiro e trago axé / Dos tribais”.

Esse álbum de estreia do grupo idealizado por Carlinhos Brown é uma aventura percussiva contagiante, sendo impossível escutá-lo sem se mexer. A produção do próprio Carlinhos é esmerada e equilibra bem os sons graves e, principalmente, os agudos dos timbales, captando bem as harmonias vocais e todos os outros instrumentos que adornam as faixas aqui e ali.

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Carlinhos Brown e a Timbalada, espalhando o amor com a verdadeira axé-music.

A canção de hoje, composta por Xexéu e Zé Raimundo, traz algumas características de outros sons da Timbalada: primeiro, a letra que exala positividade, sem descurar das mazelas enfrentadas pelo povo da Bahia. Depois, o caráter metalinguístico, sem o qual não é possível apontar antídoto para o sofrimento do povo: a própria Timbalada. O fragmento seguinte traz essas duas características: “Timbalada é a semente / De um novo dia / Nordeste sofrimento / Povo lutador / Entre mares e montanhas / Com você eu vou / Yo quero te namorar, amor!”.

Aliás, amor é o que transborda nessa e em outras canções da Timbalada. Seria ótimo se versos como estes fossem o mote deste e de todos os outros carnavais: “Teu lábio é tão doce / Doce feito mel / Todo azul sua beleza / Feito a cor do céu / Quero me aquecer / Sentir o seu calor / Rolar, rolar na cama / Lhe chamar de amor / Fazer mil poesias / Pra te conquistar / Deixá-la simplesmente / Coberta de flor / Quero me aquecer / Sentir o seu calor / Amor, é só me chamar / Ah! Ah! Que eu vou”.


Por volta de 2010, comprei o disco Abrigo (1995) de Marina Lima, usado. Não tinha nenhum álbum da cantora em minha discoteca, e a aquisição corrigiria essa falta. Bom, o disco amargou dois anos de esquecimento em meu armário, até ser (bem) degustado por muitos e muitos dias. Uma das minhas faixas favoritas era justamente a inusitada cover de “Beija-Flor”.

Timbalada sem timbales? Sim, funciona, ao menos nessa versão. O arranjo de Marina realça os climas etéreos que já eram propostos pelos teclados no arranjo original de 1993, acrescenta boas pontes instrumentais com cravos e guitarras e traz outro atrativo: a música incidental “Mel Da Sua Boca” na introdução, do Copacabana Beat, composta por Carlinhos Conceição e Rubinho de Paula. Esse hit tocou bastante no verão de 1995, antecipando em dois anos o estouro do funk melody por Claudinho & Buchecha. Marina estava antenada! Ouça:

Mais recentemente (2018), o cantor pernambucano Johnny Hooker também releu “Beija-Flor”, para a trilha-sonora da novela global Segundo sol. A versão investe em climas eletrônicos, meio na linha do lounge, trazendo também algumas cordas, talvez inspiradas no arranjo de Marina. Confira:

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