100. Eduardo Agni: “Oriki”

Quem deu ao som o dom de ser canção
E a voz, quem deu a nós para cantar
e encantar
O TOM
capaz de revelar a paz
e revelar a luz
ao ser o som OM.


[Atualização de 27/04/2021:

Docente ou estudante,

Este blogueiro percebeu que o presente post foi incluído na plataforma Google Classroom. Fiquem absolutamente à vontade para consultar este material. Só gostaria de ser informado – se possível, com algum comentário a este post – sobre a natureza do curso em questão, para qual nível de ensino ele é destinado e em que instituição ele é sediado. 

Não é burocracia, é curiosidade mesmo!

Saudações e bons estudos!]

Eduardo Agni nasceu no interior de São Paulo, em Silveiras, e hoje vive na Noruega. Seguindo a tradição dos grandes violonistas brasileiras, desenvolveu uma técnica especialíssima ao instrumento, baseada no tapping, que faz do violão quase que um piano. Em vez de beliscar as cordas próximo à boca do instrumento, Agni explora, percussivamente, as escalas no braço, gerando melodias impensáveis. Há também as peças em que músico extrai sons com a técnica zig-zum, arranhando as cordas com um pequeno bastão de madeira, como se tocasse um violino.

Conheci as criações desse músico impressionante numa época em que explorava o universo new age, já que as obras de Agni são geralmente instrumentais e nos remetem à instrospecção meditativa. No entanto, naquele disco que me apresentou a esses sons, uma faixa em especial chamou muito minha atenção, sendo justamente uma canção: “Oriki”, composta pelo próprio Eduardo e por Renato Gonda.

Em iorubá, oriki é uma poesia ou canto invocatório, dirigido à divindade que preside nossa cabeça (ori). E a canção “Oriki” é justamente isso: aproveitando-se do conceito iorubá e da sonoridade de suas palavras (exploradas no refrão cantado por um coro infantil, “Omode dara oba orum / Omode alayo oba okum / O aye dara yeye osun / Dara oba orun / Dara yeye osun”), a letra não demora a revelar que sua invocação se dirige a uma entidade mais absoluta (e mais interior) que aquelas celebradas no candomblé. Quase explorando o gênero da world music, são mencionados deuses e saudações de diversas culturas e em diversas línguas: “Oh my Dear Lord / Zeus Tupã Yaweh / Oh my Sweet Lord… / Há lá, além de mim, o sonho / Of living life in love”.

O canto poliglota, assim, se resolve na única estrofe inteiramente em português, a que aparece na epígrafe deste post. Esses versos são cantados por ninguém menos que Renato Braz, que empresta seu lindo timbre para sugerir que, no fim, todos os caminhos do som têm como fonte o OM – a sílaba primordial, o eco da criação e a ponte com o eu interior.

“Oriki” é uma forma mais artística – e mais universal – de dizer: namastê!

eduardo-agni.jpg
Eduardo Agni: o hábil violão que celebra a fortuna interior invocada pelo (s)OM.

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