121. Almir Sáter: “Mês De Maio”

Azul do céu brilhou
E o mês de maio, enfim chegou
Olhos vão se abrir, pra tanta cor
É mês de maio, a vida tem seu esplendor
A luz do sol entrou
Pela janela e convidou
Pra tarde tão bela, e sem calor
É mês de maio, saio e vou ver o sol se pôr


Gosto de posts comemorativos, como foi o 51º (e ninguém relacionou o número com o artista tematizado!), o 100º (que ganhou também uma retrospectiva específica) e agora este de número 121. Com ele, comemoramos exatos quatro meses de canções, ou ⅓ de nossa caminhada. Isso assusta: como passaram rápido esses dias… e canções. E ainda há muitas estórias a contar, muitas reflexões a se fazer, muitos sons a se escutar – de forma que temo chegar ao post 365 tendo esquecido artistas pelo caminho.

Um desses cantores que não poderiam faltar nessa jornada é o sul-mato-grossense Almir Sáter, que aguardei ansiosamente para trazer ao blog. Isso porque já imaginava, mais ou menos desde janeiro, que acabaria falando de sua canção “Mês De Maio” e, por conta de meu virginiano perfeccionismo, isso só poderia acontecer neste primeiro dia do Mês das Mães.

“Mes De Maio” consta no álbum Terra de sonhos (1994), um belo disco que jamais poderia ser rotulado apenas como de música caipira (e sertaneja, menos ainda). Apesar de suas modas e toadas tranquilas, o álbum traz surpresas como a canção-título, com um leve sabor andino, um blues rural (a instrumental “O Ganso”) e ao menos dois sons que caberiam muito bem num repertório roqueiro (a atualíssima “Na Cumbuca” e a impressionante “Rasta Do Adeus”).

Acabei conhecendo Terra de sonhos por conta de minha prima Cristiane. É curioso que, do lado europeu (luso-ítalo-castelhano) de minhas origens, ao menos outras duas primas de minha mãe acabaram, como ela, se casando com nisseis ou sanseis – de forma que tenho meus primos japas também por esse lado da árvore genealógica. Cris é uma dessas primas que, aos olhos alheios, parece de fato minha parente (embora a japonesada, na família dela, seja infinitamente mais bonita!).

Certo dia, estávamos numa rara reunião familiar (já que a parentaia está dispersa por todo o interior de São Paulo) na casa de sua avó, a falecida Tia Jacira. Como bom aborrecente aprendiz de violão, levei meu surrado Giannini, na esperança de entreter aquele encontro dos filhos, netos e bisnetos da Dona Francisca e do Seu Antônio. Àquela altura, meu repertório era limitadíssimo e, com razão, a família acabou se esforçando para ignorar os sons desafinados daquelas cordas de aço. Apenas a Cris me deu um pouco de bola:

– Você sabe tocar “Mês De Maio” do Almir Sáter?

É claro que eu não sabia, mas aprendê-la acabou virando uma obsessão, o que me conduziu ao Terra de sonhos. Por sorte, as harmonias de Sáter não são complicadas: não, a sutileza do músico, cantor e compositor se esconde em outros lugares, talvez na sempre fluida divisão rítmica de seu canto, na escolha ideal das notas arpejadas na viola, no uso sempre sóbrio de seu belo timbre de voz… não sei. A verdade é que logo aprendi a tocar “Mês De Maio”, mas nunca mais tive a oportunidade de encontrar Cris munido de um violão, mais vagabundo que fosse.

A letra da canção (composta por Almir em parceria com Paulo Simões) fala de maio como um período de céus límpidos, de esperanças solares, de votos a serem renovados e, sobretudo, de se apostar nos frutos dos planos e projetos – lembrando que o próprio nome do mês tem duas possíveis origens que remetem ao simbolismo da terra e da fertilidade, a deusa romana Bona Dea ou a deusa Maya, mãe do deus grego Hermes.

Almir canta: “É mês de maio, é tempo de ser sonhador”. E sigo sonhando, assim, com um bom desfecho para o projeto deste blog – e com uma nova oportunidade para cantar essa bela canção para minha prima querida.

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Almir Sáter, a voz e a viola de muitos sonhos e esperanças dos interiores do Brasil.

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