122. Leno e Lílian: “Objeto Voador”

Na noite clara, alguma coisa lá no céu
Parece se mover no meio das estrelas vai
Brilha tão leve o objeto voador
Nem sabe quem eu sou e quanto eu desejo ir com você
Aqui na Terra não há tempo para o amor
Tristeza e solidão é tudo o que existe aqui
Ninguém na vida se conforma com o que tem
Inveja sempre alguém
O mundo é sempre assim, não vai mudar


Na virada para a década de 1970, Raul Seixas, já separado de sua banda (Raulzito e os Panteras), acompanhava o cantor Leno, que também seguia sozinho desde o rompimento da dupla Leno e Lílian. A parceria com Raul acabou sendo profícua para ambos: injetou novas ideias e composições no repertório do natalense Leno, e possibilitou uma exposição que Raul jamais angariara.

Em 1972, Leno retomou a dupla com a carioca Lílian e, entre as gravações do álbum lançado então (Leno e Lílian), três canções eram da lavra do compositor baiano: “Deus É Quem Sabe”, “Um Drink Ou Dois” e “Objeto Voador”.

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Leno e Lílian: com a ajuda preciosa de Raulzito, enriquecendo o universo jovem-guardista.

“Objeto Voador” chama a atenção já pelo título. Quem é que nunca viu alguma luz misteriosa no céu, inexplicável, que nos atiça a pensar que fomos visitados por outras inteligências? E, de fato, na letra, temos um sujeito que, à luz da realidade degradada da Terra, faz a súplica escapista ao extraterrestre que pilota a nave espacial: “Me leve com você pra onde você for”.

Andamento, harmonia, melodia e a própria letra desse rock com sabor country, por outro lado, foram chupados descaradamente de “Mr. Spaceman”, da banda estadunidense The Byrds, lançada no álbum Fifth dimension (1966):

Dois anos depois, Raul lançaria o clássico Gita, que traz a canção “S.O.S”: nada menos que uma reelaboração de “Objeto Voador”. A letra conserva o mote original, mas agora as estrofes pós-refrão trazem referências ao universo espiritualista que seria tematizado em diversas outras canções de Raulzito, falando sobre as grandes religiões monoteístas, a reencarnação e o mito de Atlântida:

Existe uma versão em inglês para “S.O.S.”, intitulada “Orange Juice”. Os fãs puderam conhecê-la graças ao lançamento de Documento (1998), que recuperou registros vocais esquecidos, com novo acabamento instrumental graças à reunião dos músicos que acompanhavam Raul em shows e gravações:


Com o auxílio do trabalho de pesquisa de Marcelo Froés, Leno conseguiu reunir suas colaborações com Raul Seixas no álbum Canções com Raulzito (2010), lançado pelo selo Discobertas. Ali, consta um registro algo híbrido entre “Objeto Voador” e “S.O.S.”: as estrofes são cantadas como em sua forma original, mas o refrão é da gravação de Raul (que troca “Ôô amigo do disco voador” por “Ôô seu moço do disco voador”). Além disso, a introdução é aquela clássica do registro de Gita:

Mais recentemente, em Leno ao vivo (2017), o cantor trouxe mais uma releitura para a canção, mantendo o hibridismo. Obrigatória para todo fã da obra de Raulzito:

6 comentários

  1. Caramba! Não tinha noção de quanto era complexa a origem dessa música do Raul Seixas sabia que tinha origem da música do The Byrds, mas não conhecia nenhuma das variantes . Sensacional!

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  2. Muito bom relembrar o som nostálgico. Na próxima apresentação de Maluco`s Rock Band podemos cantar com sabedoria teórica o presente clássico…

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