154. Larissa Luz: “Gira”

Os meus olhos vão dizer
Tremeu aqui, sinta
Alabê dá forma, hei
Toma posse de você
Dance pra descer
Entrega um pouco mais
Vai rodar xirê
Recebi o sinal
Bateu, bateu
Bateu, bateu
Tudo gira gira roda roda vá, bateu


Este ano, no último dia de sons no 11º Festival Contato, o show de encerramento com Larissa Luz foi uma grata surpresa. Já estava contente com o final da noite anterior, por ter conhecido Luedji Luna (que inclusive já cantou com Larissa), mas a verdade é que ninguém melhor que essa jovem cantora soteropolitana teria encerrado o Contato 2019.

Larissa subiu ao palco vestindo um macacão de couro, no melhor estilo Pantera Negra da Marvel (como ela própria reconheceu). Ao seu lado, duas bailarinas com toda a pinta de funkeiras, duas percussionistas descendo a mão nos tambores e um guitarrista incrivelmente discreto. Já vi muitas formações exóticas ao vivo, inclusive em apresentações de gente famosíssima, mas revirei minhas lembranças e não encontrei nada parecido em 30 anos de praia. (Abaixo, fotos do Facebook do Contato).

Já na primeira canção, o público se agitou, e assim permaneceu durante todo o show. Houve vários números do disco mais recente (Território conquistado, 2016) da cantora que já chegou a integrar o Ara Ketu, no início da década. Entre eles, “Meu Sexo”, com sua letra direta, e a própria “Território Conquistado” – que no disco traz um dueto com Elza Soares, de quem Larissa herdou o timbre. Aliás, Larissa parece ter o physique du rôle para interpretar a cantora carioca, o que aconteceu durante 2018, na peça teatral Elza.

Já na metade do show – indefinível, com momentos escandalosamente pop, mas com seus rompantes do melhor do funk e do rock –, o público veio a conhecer uma canção que estaria no novo álbum da cantora, Trovão (disponibilizado nas plataformas digitais poucos dias após aquela apresentação). Intitulada “Gira”, a faixa é uma parceria de Larissa com Bia Ferreira e Doralyce, surgindo como uma espécie de releitura eletro-pop de um canto do candomblé, com um refrão contagiante (e apresentado, por Larissa, com uma convidativa coreografia): “Tudo gira gira roda roda vá, bateu”. E bateu firme na gente! Impossível ficar parado.

A letra é direta e oscila entre o manifesto e a exortação da auto-ajuda: “A cada passo pra frente, a Casa Grande treme / Entro na sua mente / Vê se não quebra a corrente / Pegue a coragem / Junte com a sua fúria / Vejamos a mistura / Vamos botar o bloco na rua / E ninguém me segura / Minha raiz é forte / É que que sou tipo Jesus Cristo, já venci a morte / Me chamam bruxa, feiticeira, macumbeira ou coisa assim / Aprenda o meu nome, vai ouvir falar de mim / Pega essa fúria da fome / Pega essa fúria do medo / Bota pra fora do peito / Liberte o que prende primeiro / Dançar vai abrir o portal / E o canto expulsar o mal / Eu conto com a sorte, meu ebó é forte / Que comece o ritual”.

Larissa prova que é possível ser dançante sem ser fútil e ser militante sem cair no lugar comum. Que venha Trovão para balançar o pop nacional… eparrei!

larissa-luz.jpg
Larissa Luz: a voz de trovão da nova geração de cantoras brasileiras, reconceituando o pop.

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