296. Wilson Moreira: “Oloan”

Ossan, Ossan, Oguirê, Oguirê
Toda iluminação de Orum
Oloan, Odu, Toda iluminação de Orum
Oloan, Odu


Já falamos daquele que foi seu grande parceiro, Nei Lopes (clique aqui). Faltava falar dele, Wilson Moreira, carioca que nos deixou há pouco mais de um ano. Aliás, como tem ido embora gente boa do samba! Justo agora?!

Alguns de meus sambas favoritos são de sua autoria, geralmente com Nei, casos de “Coisa Da Antiga” e “Candongueiro”, que foram cantadas por Clara Nunes (e, por sinal, no tributo Um ser de luz – saudação a Clara Nunes, de 2006, Pedro Miranda e Alfredo Del-Penho as unem num pot-pourri matador).

“Candongueiro” escutei, pela primeira vez, no álbum de estreia do Batacotõ (também já trazido ao blog, aqui). E percebo que essa foi uma constante em minha relação com esse compositor competente e prolífico: geralmente, conhecia canções de sua autoria por meio de outros intérpretes. Foi assim, também, com a linda “Okolofé”, que conheci por intermédio de Outro quilombo (2002), de Renato Braz.

Assim, perseguindo suas composições e depois buscando conhecer as versões originais, é que vim a conhecer Entidades 1 (2002), que abre com a belíssima canção de hoje, “Oloan”.

Composta apenas pelo Alicate, “Oloan” é uma belíssima oração à sereia do mar: “Eu vou pedir licença / E vou ao mar / A claridade do dia vai me iluminar / Me banhar, vou mergulhar nas águas / Me purificar no fundo do oceano / Os caprichos de Janaína / A pureza do mar / Oh, Mãe Rainha Iemanjá”.

O arranjo, assinado por Paulão 7 Cordas, destaca a percussão e tem lindos coros, que contam com as vozes de gente como Teresa Cristina e o já mencionado Pedro Miranda.

Uma bela introdução a Entidades 1, que infelizmente não pode ser continuado num segundo álbum. No mais, o disco é todo bom e vale a pena pela imersão, proporcionada pelo compositor, ao mundo de magia e das tradições culturais afro-brasileiras – pelos quais Wilson, assim como Nei, sempre lutaram, colocando devidamente em evidência as contribuições culturais dos povos negros que aqui aportaram.

Um artista inesquecível.

wilson-moreira.jpg
Wilson Moreira: com ou sem o parceiro Nei Lopes, um mestre de sambas inesquecíveis.

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s