Casa em ordem

Fazer um novo post, aqui, faz muita coisa vir à cabeça.

Primeiro, penso em como foi difícil essa tarefa de postar diariamente, em 2019, alinhando palavras e sensações, e sem decuidar do projeto gráfico que – preciso reconhecer, sem falsa modéstia – era realmente muito bonito e caprichado.

Mas penso, também, na maravilha que foi clicar no botão “publicar” quando concluí a revisão do post final, o de número 365. Pois foi, basicamente, um sufoco chegar até ali, e a conclusão da aventura só poderia ser saudada com, mais que alegria, verdadeiro alívio.

Por fim, penso em como o 365 Canções Brasileiras assinalou o fim de um ciclo em minha vida, provavelmente, na vida de outras pessoas também. Afinal, a última postagem, que veio como um bônus, foi publicada sintomaticamente em 29 de fevereiro de 2020 – e, todos sabemos que, desde março daquele ano, a vida de ninguém foi a mesma.

É por isso que voltar aqui traz um sabor esquisito, como diria Caetano. A bem da verdade, “voltar” talvez não seja a melhor palavra, pois nunca deixei de acompanhar o blog. Ler os relatórios diários, informando a quantidade de visitantes e quais posts foram acessados, se tornou um divertido – e necessário – passatempo pandêmico. E, graças a essas estatítsicas de acesso, hoje posso afirmar que o pretensioso projeto deste blog, que era o de se tornar uma espécie de museu virtual permanente da canção popular brasileira, parece se concretizar cada dia mais. Afinal, a média de visitantes dos três primeiros meses de 2019 é, hoje, superada com a atividade de apenas dois dias. Nada mal para quem está alheio às redes sociais (e, portanto, não tem os meios para difundir mais o conteúdo do blog) e sequer é escritor ou crítico musical profissional.

Enfim, eis-me aqui para matar a saudade de escrever no 365 Canções Brasileiras, mas mais que isso, informar o público sobre como venho mantendo a casa em ordem.

Pois bem, por meio dos relatórios de acesso, percebi que os visitantes praticamente não utilizam um dos recursos que mais tive trabalho para criar: o Sumário. Pensando nisso, resolvi alterar um pouco a formatação dos menus iniciais, colocando em destaque esse instrumento que facilita, e muito, a navegação.

Refiz também o título da página de contatos, antes, nomeada como “Faça seu pedido!”. Fazia sentido enquanto o blog ainda rolava; hoje, não faz mais, pois não haverá novas postagens. No lugar disso, como se vê acima, coloquei o título “Contato / Informar erro”. Isso porque alguns visitantes têm vontade de conversar com o blogueiro, mas essa possibilidade parecia escondida. Além disso, percebi que alguns posts ficaram com os respectivos vídeos fora do ar, por mudanças no próprio YouTube. Agora, fica o convite explícito para que o público possa reportar o problema, se o detectar. Eu mesmo já andei identificando postagens que padeciam disso, fazendo os reparos necessários, mas é impossível que eu esteja, frequentemente, conferindo os 365, ops, 366 posts.


E o que nos reserva o futuro?

Bom, primeiramente, gostaria que todos permaneçamos vivos, e que o Brasil continue existindo.

É triste reconhecer que a primeira hipótese vai se tornando cada dia menos provável, dado o projeto deliberado de extermínio a que estamos sujeitos. Menos mal que o mundo gire, apesar de tudo, e continuará a girar, quer estejamos aqui ou não.

Mas, sonhando um pouco – e não há transformação objetiva da realidade que, um dia, não tenha sido utopia apenas imaginada –, tenho acalentado a vontade de retomar um empreendimento aos moldes do 365 Canções Brasileiras. A princípio, gostaria de fazer um novo blog, com postagens diárias também a partir de um 1º de janeiro, focado na música instrumental brasileira. A ideia seria percorrer gêneros, instrumentistas e peças que, não sendo cantadas, também não estariam necessariamente restritas ao mundo da música erudita.

A boa notícia é que, atualmente, já escolhi por volta de 330 temas – e esse seria o título do projeto, 365 Temas Instrumentais Brasileiros – candidatos a serem compartilhados e dissecados por minha limitada prosa. Ali tem muito chorão, violeiro, violonista, como era de se esperar, mas também bandas famosas, bandas independentes, peças perdidas no meio de algum álbum tropicalista, faixas experimentais para preencher o tempo do lado-B de algum bolachão, etc. Aliás, aceito sugestões para fechar a lista! Novamente, ficam proibidas as repetições de intérpretes.

Se o projeto rolará em 2022, 2023 ou depois, ainda é cedo pra saber. De qualquer forma, espero contar com a companhia de vocês.

E, para um futuro ainda mais nebuloso, quem sabe apareça um Outras 365 Canções Brasileiras, sem repetir artistas deste primeiro blog. Também já selecionei por volta de 300 artistas sobre os quais gostaria de falar. Nesse caso, o limitante maior é o fato de que, atualmente, quase não tenho o que dizer sobre eles, tanto por carecerem de uma escuta mais atenciosa, quanto (principalmente) por eu não ter vivido, ainda, estórias com suas canções. Mas essas experiências nós vamos criando, ou sofrendo, com o tempo. Por isso, nada de pressa.

Havendo mais novidades, posto aqui.

Continuem se cuidando, mantenham os melhores pensamentos e guardem-se pra quando o carnaval chegar.

8 comentários

  1. Grande Rafael. O mundo agradece por sua retomada. Seguiremos acompanhando de perto esse trabalho e esse desfrute. No momento não teria sugestões para a nova saga, mas ficarei atento. Grande abraço!

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    1. Aê, Michel! Bom rever um comentário seu aqui!
      Tenho certeza que estaremos juntos na(s) próxima(s) jornada(s).
      Mas nessa estória de “O mundo agradece…”, você pegou pesado! hahaha
      Abração, meu amigo

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  2. Ah quanta saudade de ouvir você falando sobre música (porque leio suas escritas com a voz do Rafa, e porque você escreve quase exatamente como você fala)! Eu adoraria uma nova saga musical, diária! Achei que foi um feito e tanto um projeto desse concluído… dois então! isso seria demais! Sinto que essa pandemia (e a gestão que se tem feito dela, claro!), entre tantas coisas q nos tem roubado, roubou também a chance de viver histórias novas, com músicas novas! Nem que seja uma versão desconhecida no radio do carro, depois de um bom almoço…
    Se cuida!
    Eu estou me guardando para quando o carnaval chegar! (Aliás já falamos sobre esse filme espetacular?)

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    1. Ah, Júlia, Julieta, Juber… você acertou em cheio: a pandemia nos tirou a possibilidade de viver, e mesmo de criar, novas estórias com as canções, e mesmo com a música e as artes em geral. A dor maior é perceber que isso faz parte de um projeto deliberado de negação do que o conhecimento e a arte podem nos proporcionar. Nesse sentido, tentar fruir a produção artística, ainda que nas precárias condições em que nos encontramos, permanece sendo um ato de resistência – meio que quixotesco, mas necessário.
      O que me anima é saber que posso continuar contando contigo na(s) nova(s) saga(s), se é que ela(s) virá(ão).
      (E não, nunca conversamos sobre esse clássico do cinema nacional. Pauta para a próxima conversa!).

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  3. Descobri o blog hoje, porque estava procurando algo sobre uma das minhas músicas favoritas “Cunhataiporã”, na versão da Tetê Espíndola em Pássaros na garganta. Gostei muito do projeto e da tua escrita. Por favor, continue!

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    1. Obrigado, André!
      Bom, o projeto acabou, né. E, como escrever sobre música está longe de ser minha ocupação principal, sinto enorme alívio por tê-lo concluído.
      Há sim muita vontade de fazer algo semelhante num futuro meio distante. Por enquanto, está quase certo que em 2022 ou 2023 haverá um 365 Temas Instrumentais Brasileiros, que funcionará no mesmo esquema, começando dia 1º de janeiro. Até estou pensando em apresentar alguns posts experimentais já nos próximos dias, para testar a ideia – avisarei aqui se isso rolar.
      No mais, obrigado pelo elogio e pela visita. Eu gosto muito de ler e de responder comentários dos visitantes, então fique à vontade para escrever mais.

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  4. Sim! Entendi depois que já tinham sido postadas as 365. Ficou ótimo! Acho que a trajetória ficou interessante, passando por canções de artistas menos festejados da MPB, mas não menos talentosos ou menos populares que os sempre festejados pela elite jornalística e televisiva. Também observado com sensibilidade e atribuindo valor artístico a coisas que são foram como cafonas ou empobrecidas, de novo, por puro elitismo. Assim, fiquei feliz em ver justiça sendo feita a coisas que parecem tão distantes das cabeças que se dizem pensantes como Katinguelê ou Tião Carreiro e Pardinho, muita gente torceria o nariz. Achei que teu gosto é bastante descolonizado, tens um olhar próprio que não nega as influências menos prestigiosas de teu repertório. Isso sim é chique.

    Vai ter livro?

    Ficarei atento a novos projetos.

    Um abraço, querido!

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    1. Poxa, rapaz, que bacana essa sua mensagem. Realmente tive essa preocupação em tematizar, também, canções e artistas que (ainda) não caíram no gosto das ditas “elites”. Até porque não é esse o contexto de onde venho, e procurei trazer, aqui, cancionistas e obras que fizeram e fazem parte de minha história.
      O que eu lamento, mesmo, é que conheci muita coisa boa (e nova!) de 2020 pra cá, que merecia estar aqui, evitando que eu repetisse alguns nomes. Por exemplo, tem post sobre Caetano, sobre Gal, e sobre Gal + Caetano… mas não tem certas bandas que aprendi a gostar mais recentemente. Pior que isso: existem omissões quase imperdoáveis, como os nomes do recém-falecido Cassiano, ou de Taiguara, pra citar dois exemplos incômodos.
      Algumas dessas omissões, em parte, vou poder corrigir com o 365 Temas Instrumentais Brasileiros. Outras, vão ficar para o Outras 365 Canções Brasileiras, projeto a ser tocado num futuro distante…
      Mas é isso aí, se houver novidades, você saberá.
      Um abraço e muito obrigado pela palavra trocada!

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